Pessimismo X Otimismo: o paradoxo da produtividade

Quando foi a última vez que alguém disse a você que o copo estava metade vazio? Ou que disse que o seu sorriso estava virado de cabeça para baixo? Não é sempre que a gente ouve sobre o lado “positivo” do pessimismo – afinal, dizer que alguém é pessimista não é considerado um elogio mesmo. Mas em termos de produtividade, há estudos que mostram que tanto uma mentalidade positiva ou negativa podem ser uma vantagem decisiva na hora de fazer acontecer.

Vamos examinar os dois lados desse pensamento ao longo deste texto, e deixamos que você decida como quer que o seu copo esteja – metade cheio ou metade vazio – na hora de conseguir sua produtividade máxima.

“Pessimismo defensivo” para ser mais eficiente?

Julie Norem e Nancy Cantor, dois psicólogos que escreveram o livro “O Poder do Pensamento Negativo” (inédito no Brasil, mas a versão em inglês chama-se The Positive Power of Negative Thinking e pode ser adquirida nas livrarias. Leia uma entrevista da Exame sobre esse livro aqui), examinaram dois grupos de pessoas em uma série de estudos que compararam otimistas estratégicos e pessimistas defensivos, como eles os chamaram. Otimistas estratégicos são pessoas que antecipam os resultados positivos de uma ação  e fazem o que for possível para extrair o seu resultado. Já os pessimistas defensivos, por outro lado, são aqueles que consideram todas as alternativas que podem dar errado antes de fazer uma tarefa – e o fazem mesmo que tenham tido êxito em tarefas anteriores.

Os estudos dos dois psicólogos mostraram que enquanto que a crença geral é a de que os otimistas estratégicos é qe vção vão executar suas tarefas de forma melhor que os seus colegas mais “para baixo”, aqueles participantes que foram identificados como pessimistas defensivos não obtiveram resultados piores de forma alguma. Porém, eles de fato definiram expectativas mais baixas para tarefas analíticas, verbais e criativas.

Manter baixas expectativas faz com que os participantes do estudo se motivem para tentar superá-las. “Desde o início eu comecei a perceber que eles estavam indo muito bem por causa do seu pessimismo… seu pensamento negativo, neste caso, transformou a ansiedade em ação“, explicou a doutora Norem, que também é professora no Wellesley College, nos Estados Unidos. Por exemplo, quando os participantes estavam jogando dardos durante um estudo, aqueles que eram considerados pessimistas defensivos tinham sua mira 30% mais aguçada após imaginar consequências negativas.

Darts

Como trabalhar com Pessimistas Defensivos

Adam Grant, um professor de Gestão e Psicologia da Universidade da Pensilvânia, expôs um artigo sobre os pessimistas defensivos em um post no LinkedIn onde ele enumera quatro métodos que podem ajudar a motivar pessoas que frequentemente caem nessa categoria.

  1. Não force-os a ter uma disposição positiva: É complicado explicar isso, mas é verdade! Grant explica que quando os pessimistas defensivos estão com “bom humor, eles se tornam complacentes, e por isso não tem mais a ansiedade que geralmente mobiliza o esforço deles para executar algo. Ou seja, se você quer sabotar os pessimistas defensivos, basta tentar animá-los”.
  2. O encorajamento que desencoraja: De acordo com este estudo, quando pessimistas defensivos são encorajados para apresentar mais esforços, sua performance cai em 29% (enquanto que nos otimistas, ela aumenta em 14%). “O encorajamento aumenta sua confiança, reprimindo sua ansiedade e interferindo em seus esforços em definir expectativas baixas.”
  3. Reserve tempo para se preocupar: Em um estudo que solicitou que pessimistas e otimistas adicionassem e subtraíssem mentalmente algumas equações, os pessimistas tiveram uma performance 25% menor quando tinham que completar uma outra tarefa completamente diferente imediatamente antes. Quando eles tem mais tempo entre uma tarefa e outra, isso os ajuda a “construir sua ansiedade”, e com ela suas aptidões matemáticas aumentam.
  4. Seja realista: Estudos Estudos mostram que fantasiar sobre um possível resultado ou objetivo (perder peso, por exemplo) tende a ser uma previsão de poucas conquistas. Uma razão para isso, como explica Gabriele Oettingen, uma professora de Psicologia da Universidade de Nova York, é que as pessoas que fantasiam muito “muitas vezes não geram a energia necessária para perseguir seus sonhos”.

O advogado do Diabo: Pessoas felizes são mais produtivas

Assim como o título deste post indica, há duas escolas de pensamento quando o assunto é produtividade e atitude. Você pode imaginar que geralmente acredita-se que a correlação do otimismo com a produtividade é alta – de fato, há uma série de estudos que confirmam isso. A Universidade de Warwick, por exemplo, conduziu uma famosa série de quatro estudos em que eles solicitaram a 700 participantes que tinham tido experiências positivas e negativas antes que fizessem algumas tarefas matemáticas. Aqueles que tinham tido experiências positivas apontaram um aumento de  12% em produtividade.

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Mas ao mesmo tempo, pesquisadores holandeses na Universidade de Maastricht conduziram um estudo de um ano em uma enorme central telefônica na Holanda, onde suas conclusões mostraram que “otimismo prevê vendas maiores a cada hora” e que o otimismo do grupo significou um aumento significantemente maior em bônus mensais.

Otimismo em um ce
nário profissional pode ter efeitos muito positivos a longo prazo. Após estudar um grupo de alunos graduados em MBA dois anos após a conclusão do curso, pesquisadores do MIT descobriram que “estudantes de MBA com inclinação mais otimista encontraram empregos similares aos seus colegas de classe que não tinham essa predisposição – mas encontraram estas oportunidades de forma mais fácil, sem muitas buscas intensas de emprego. E ainda melhor, dois anos após a agraduação, os otimistas tinham mais probabilidade que os seus colegas não otimistas de serem promovidos”.

Mas em quem acreditar? Nos ajude a decidir!

Mas no final das contas, o mundo precisa tanto dos pessimistas e dos otimistas para continuar. Seja porque um vê a realidade como ela é, e nos ajuda a antecipar consequências negativas. Já os outros nos impulsionam para as estrelas, buscando sempre um resultado sensacional.

Mas o que vocês acham? No caso particular de cada um, ver o copo mais vazio ou mais cheio que os ajuda no dia a dia a fazer suas  tarefas? Conta para a gente! :)

 
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